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Archive for the ‘Outro’ Category

Pequenino livro com algumas crônicas do escritor gaúcho Sérgio Faraco, com temas da antiguidade grega e qualquer coisa autobiográfica. O contraste entre a temática erudita e a forma jornalística do gênero faz da maioria dos textos algo interessante de se ler, sobretudo por causa das referências a autores clássicos. Mas os dois que destaco não são de ambiente grego: Cantata para uma escrava triste, uma memória de Alegrete nos anos 50, e Livros perdidos, uma pequena reflexão sobre os livros que, por causas diversas, não chegaram a nós. São duas crônicas legais de um livrinho que achei bem médio.

Edição: Porto Alegre: Mercado Aberto, 1998.

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Último post de 2011

O fim do ano sempre me foi uma época em que o futuro e o passado batem à porta. Com exceção do aniversário, é a data mais angustiante do ano. Truffaut disse em uma entrevista que dezembro era o mês em que mais trabalhava, e que isso provavelmente se devia a uma sensação mais nítida de que o tempo passava e de que não conseguia fazer todas as coisas que queria. Tenho isso com todas as datas que marcam o tempo. Por isso, escolhi uma imagem de alívio para o último post desse ano. Uma pintura de luz e beleza para brindar a oportunidade de recomeçar do zero e tentar de novo, que o ano novo é isso.

 

Gustav Klimt, Retrato de Serena Lederer, 1899.

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Li esse livro pela primeira vez em 2008, pela indicação de um professor de Filosofia. Reli há cerca de três meses, quando da pesquisa que fiz sobre a Pucelle de Voltaire. Ajudou-me muito a organizar as coisas antes de escrever. Na verdade, a organização já parece metade do trabalho, porque, muitas vezes, quando são colocadas as perguntas certas, as respostas vêm tão naturalmente que o trabalho parece desdobrar-se sozinho dentro da cabeça. Na parte de escrever, também me ajudou, pois há capítulos sobre argumentação, onde vi que a maioria das pessoas, na academia, busca argumentar no sentido de exonerar-se do compromisso das próprias afirmações, o que corresponde à impressão que fico frequentemente após ler artigos de periódicos acadêmicos. Vários deles simplesmente não precisavam existir. Isso deve ser sinal de uma necessidade que as pessoas têm hoje de publicar, o que provavelmente não se deve à força de um gênio incontido. É preciso guardar ceticismo quanto à profusão de coisas a ler.

A arte da pesquisa foi escrito por Wayne Booth, que foi crítico literário e professor na Universidade de Chicago, Joseph Williams, pesquisador em Linguagem e professor na mesma universidade, e Gregory Colomb, professor de língua e literatura inglesas na Universidade de Virgínia, todos falecidos recentemente, entre 2005 e 2011, poucos anos após a publicação do livro. É uma obra para pesquisadores em humanidades, sobretudo História, Filosofia e Letras, campos em que os autores realizaram trabalhos. A humildade é seu forte, e o que buscam ensinar a experientes e inexperientes.

Edição: Martins Fontes, 2000. Tradução de Henrique Monteiro.

Johannes Vermeer, O Astrônomo, c. 1668.

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Meu plano de ser relapso com as disciplinas obrigatórias tem dado certo. Sem deixar de ler bastante, tenho lido muito pouco do que é necessário. Não estou preocupado com isso, embora, tendo revisto uns papéis dos primeiros dois anos de curso, eu tenha ficado um tantinho nostálgico daquele tempo épico. Mas não era sobre isso que eu ia falar. Ia falar que li coisas, uns doze livros sobre os quais não escrevi uma linha aqui. Era auto-engano de deixá-los numa pilhazinha para o blog. Portanto, desisti de registrar minhas impressões sobre alguns, e retornei-os humilhado à prateleira. Eram os acadêmicos, Koselleck, Romano e alguns outros, e também uns de literatura, como a Noite na Taverna e as Poesias do Bilac. Eles estavam lá desde julho me esperando. Mas alguns ficaram; em breve estarão por aqui.

Tinha de escrever um conto. Descobri que não consigo. Muito instantâneo, muito espontâneo, pareceu-me impraticável para quem escreve e reescreve uma frase mil vezes. Mas acredito que isso foi só impressão, e que, se não consigo, é porque não consigo e ponto. Não consigo escrever o conto, não consigo escrever o conto, não consigo escrever o conto. Se fosse uma oficina de épico em alexandrinos, seria mais fácil. Contos! Por que é tão difícil?  Mas que tem? Há tanta coisa no mundo! Aliás, é bom. Sinal que sirvo mais para ler que para escrever. E é melhor gastar lendo algo bom o tempo que se gastaria escrevendo algo ruim. Até pensei em um conto que mostraria essa situação da seguinte forma: uma pessoa é perseguida por um demônio, o nome dele é Fracasso; tenta fugir-lhe desesperadamente, e acha que consegue, quando se descobre perseguida por outro pior, chamado Ridículo. Moral da história: só em harmonia com o Fracasso que se evita o Ridículo. E essa seria minha despedida do gênero. Mas não fiz. Achei moralista demais, alguém poderia se ofender. Talvez faça, mas não fiz.

Pensei em outro conto. Um homem tipo Babbitt, um homem de metas, de objetivos, de Visão. Que pinta seu escritório com as cores de alguma filosofia oriental veiculada pela paraliteratura daquelas estrelas da administração. Daí, um dia, ele descobre que tem os pés virado para trás. Virados ao contrário mesmo. Mas ele não sabia disso antes? Nunca botou sapato? Sim, mas o fato é que, com a ideia de sempre pensar alto e olhar além, embora evidentemente conhecesse seus pés, nunca tinha visto os pés alheios. Então, quando se dá conta da anomalia, também percebe que todos o conhecem devido a ela. E sua confusão é tanta que desaprende a caminhar, atrapalha-se, tropeça, cai da escada e morre. Mas também achei muito moralista. Um provável candidato à categoria das porcarias. Não fiz.

Contos! Também pensei em um outro em que desaparecem umas crianças… mas ia ser gótico demais; ou um outro em que teria um herói, mas seria muito grego. Mas, pelo céus, minhas mãos embotadas para o conto não são sinal de falta de humildade; pelo contrário, acho que a autocrítica muito forte deve vir de algum complexo sentimento de inaptidão. Mas tudo bem, que fazer? Depois escrevo sobre os livrinhos que li. E viva a polca!

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Porque é bom pra caramba. Aqui, um texto de Antônio Xerxenesky em que diz aquele que acredito ser o único motivo razoável para se preferir um livro contemporâneo a um clássico.

Porque dizer que uma obra escrita hoje, e, portanto, intimamente relacionada às questões atuais, participa mais do espírito do nosso tempo é algo tão enganoso quanto pensar que, lendo Eurípides, você aprenderá somente sobre a sensibilidade grega. Preferir o livro contemporâneo porque ele é mais contemporâneo é como preferir o grego porque ele é mais grego. Grande engano; o mesmo equívoco do classicista tradicional, mas com outro referencial.

Acontece que, creio, não há como não ser contemporâneo, ou ser menos contemporâneo. As leituras que eu fizer, as opiniões que eu sustentar sobre literatura ou qualquer arte, desde que sejam sinceras, serão inevitavelmente contemporâneas. Ainda que eu varra (ou pense varrer, não importa) o século XX dos meus horizontes artísticos. Dizer o contrário seria ignorar uma espécie de imperativo de ruptura que todos têm em sua formação. Pode-se romper com qualquer coisa, e, necessariamente, tem de se romper com alguma coisa.  Acho, na verdade, que essa independência é que define ser contemporâneo (em qualquer época), e, por isso, ler clássicos em vez de obras de hoje pode ser um gesto indubitavelmente contemporâneo. Certamente, não quero dizer que seja ruim ler os livros escritos aqui e hoje. Evidentemente, além de bom, isso é importante para se manter em contato com o que acontece lá fora. O que digo é que, ao cabo, todos partem do zero, e são contemporâneos. Descobrir o que têm em comum um classicista de hoje e um amante da literatura atual é descobrir o verdadeiro caráter de nossa contemporaneidade.

E, se é uma independência em relação ao passado que caracteriza o contemporâneo, o único jeito de não ser contemporâneo é ser dependente de uma forma. No caso, um classicista que ama o clássico por ser clássico – mas, também, um modernista que ama o moderno porque é moderno. O fetichismo classicista é equivalente ao fetichismo contemporâneo.

Infelizmente, não li ainda o livro obrigatório de I. Calvino sobre os clássicos. Mas queria deixar aqui algumas razões que me fariam tomar o partido restaurador nessa guerra eterna entre presente e passado. Na verdade, sou um semianalfabeto em termos de literatura do século XX – e me penitencio por isso -, portanto, aqui estão somente motivos que admiro nos clássicos – e não predicados pelos quais acredito serem eles melhores que os modernos:

– Sabedoria. Ridículo, tanto mais quando se fala de arte. Mas há sabedoria, assim como há beleza. Diferentemente sábio, cada clássico brinda o leitor com uma visão de mundo que certamente o influenciará. Não sei, simplesmente acho o dia mais bonito quando leio Walter Scott. Alguns são mais extremos, mesmo perversos, outros mais moralistas. Não importa. Sabedoria é uma espécie de felicidade intelectual. Mas talvez seja só hipocrisia.

– Inteligência. Dificilmente, você encontrará um erro lógico e grave em um grande clássico. E, se você encontra, é muito provável que seja você quem não tenha entendido direito. Ademais, em clássicos, tenho quase sempre o prazer descontente de ver uma força intelectual que certa nostalgia inerente me faz achar inigualável.

– Beleza. E criatividade. Ler Racine, na fronteira do fetichismo… Ah, melhor não dizer nada sobre o que, se dissesse pouco, seria pior.

– E, sobretudo – na verdade, esse é o único motivo de que nunca duvidei -, a maioria dos clássicos é boa pra caramba.

Turner, Arundel Castle, with Rainbow, c. 1824.

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Tenho 8 obras sobre as quais escrever no blog, e não tenho tempo para nenhuma. Enquanto o tempo não chega, deixo por aqui umas gravuras renascentistas.

 

Mulher vista de trás, Michelângelo.

 

Sem título, Guido Reni.

Atlas, Peruzzi.

Madonna, criança e anjo, Zuccaro.

Estudo de Santa Catarina, Parmigianino.

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Copiando, em escala mais modesta, o blog Casa da Bibliofilia, elejo aqui minhas melhores leituras de janeiro a junho deste ano:

 

Romance: O Talismã, Walter Scott.

Conto/Novela: A Estepe, Tchecov.

Poesia: Sonetos, Florbela Espanca.

Drama: Macário, Álvares de Azevedo.

Filosofia: Filosofia da História, Voltaire.

Acadêmico: Voltaire – nascimento dos intelectuais no século XVIII, Pierre Lepape.

 

 

Deux chevreuils dans la forêt, Gustave Courbet.

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