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Archive for the ‘Oscar Wilde’ Category

Oscar Wilde é, para mim, um daqueles escritores pelos quais eu me converteria apenas para agradecer a Deus por ter existido gênio tal. Antes de ler esses contos e novelas, tinha tido o prazer ler aos 15 e reler aos 20 apenas O Retrato de Dorian Gray, seu único romance. Foi um livro muito que marcou minha adolescência quando li pela primeira vez, e que me surpreendeu mais ainda quando reli.

Quanto a Contos e Novelas, é um livro belíssimo. Claro que é belíssimo, pois o trunfo de Wilde é buscar sempre a beleza. Não o conhecimento, não a glória, não o humor (apesar de toda ironia), mas a beleza pura e harmônica dos simbolistas e do art nouveau. Não sei e não estou interessado em saber onde colocam Wilde os estudantes de literatura, mas acredito que seja num lugar aproximado de onde colocam Klimt os estudantes de artes plásticas. Lendo esses contos, lembrei de Tchecov, de quando disse que o contista eslavo era um pintor mais que um escritor; Wilde também, sem dúvida, é um grande manipulador de cores. Compõe paisagens magníficas, coloridas, a maioria dos textos selecionados no volume tem a atmosfera de um conto de fadas, os elementos de fábula incrementam sua beleza quase mística.

Como nas fábulas, alguns contos têm uma lição moral. Outros, não (não que eu tenha notado). Quase todos, no entanto, parecem se passar num lugar imaginário, fora da jurisdição prosaica do homem (O pescador e sua alma, O menino da estrela, O príncipe feliz, O rouxinol e a rosa e outros), como o bosque da peça de Shakespeare Sonho de uma Noite de Verão, ou numa versão maravilhosa de um cenário existente, como um quadro que realça as cores do mistério na representação de uma paisagem conhecida (O fantasma de Canterville, O aniversário da infanta). Dois contos se assemelham muito ao ambiente de O Retrato de Dorian Gray (A esfinge sem segredo e O crime de lorde Arthur Savile), em que os personagens da sociedade são perturbados por qualquer coisa de fantástico. Todos os textos, no entanto, Wilde pinta com primor cada detalhe, dando os limites de cada cor e seu devido tom.

O melhor conto: O aniversário da infanta – realmente impressionante; o pior: O fantasma de Canterville – em comparação com os outros, fica para trás, talvez por sua proposta humorística, que, para mim, não combina com o autor.

Edição: Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. Tradução de Brenno Silveira.

 

Gustav Klimt, A Virgem, 1913.

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