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Archive for the ‘Jane Austen’ Category

Um belo romance. Li por sugestão, e foi o melhor romance que peguei este ano, até agora. Arrependo-me, na verdade, de não tê-lo lido mais cedo, é o tipo de livro de que eu teria gostado muito na época do colégio. Também gostaria de tê-lo lido antes de Persuasão, que li há cerca de um ano, porque Persuasão não me deixou quase nenhuma lembrança, enquanto sei que este aqui deixará bastantes. Agora que já sei mais ou menos ler Jane Austen, tenho de voltar a Persuasão, pois, sendo o último romance dela, é impossível que não seja especial.

A primeira vez que ouvi falar em Orgulho e Preconceito foi quando eu era pequeno, em um filme, que não lembro o nome mas sei que eram desses que davam à tarde, em que uma mulher perguntava o que a garotinha estava lendo e ela dizia o nome do livro, e elas falavam qualquer coisa sobre. Não sei por que lembro disso. Depois, só voltei a ouvir falar há uns três anos, quando a Lana leu e foi arrebatada pela autora.

A principal diferença entre Orgulho e Preconceito e os demais romances de que gosto é que ele se passa todo no circuito das opiniões que um personagem tem do outro, o que me causou certa claustrofobia no início. Mas depois, quando se pega o ritmo, é fácil ver que no seu estilo há uma beleza e uma inteligência inteiramente diferentes daquelas de seus coetâneos. Pelo menos dos que conheço.

O forte da obra são os diálogos. Todas as falas são um primor. Certamente, a boa tradução ajudou nisso, mas creio que faça parte mesmo do estilo da autora. Em uma história em que os sentimentos são a todo tempo constrangidos pela respeitabilidade, pelo crédito e descrédito e pelas impressões, os diálogos merecem um cuidado especial. É por meio das palavras de seus personagens que eles me ficaram marcados. E é desnecessário dizer que meu personagem favorito é o pai de Elizabeth, um senhor de opiniões extravagantes.

O fraco, para mim, é o baixo recurso estético da narrativa. Mas isso também é coisa de seu estilo de escrever, e do meu de ler. Em poucas passagens, fora dos diálogos, parei e disse: nossa!. Penso que eu não conseguiria ler várias obras de Austen seguidas pelo fraco apelo poético (supondo que todas sejam como esta). E também a inocência de certas coisas da história. Mas, na verdade, nada disso são defeitos, são antes predicados, e fazem parte de sua beleza rara.

Edição: Publifolha, 1998. Trad.: Lúcio Cardoso.

John Constable, Damas da família de Mr. William Mason de Colchester, 1802-06.

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