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Archive for the ‘Erich Maria Remarque’ Category

Fiquei com uma impressão muito forte desse livro. Por causa das imagens fortes e da atmosfera tensa, a leitura foi acompanhada de um sensível incômodo do início ao fim. Tenho isso de ser psicologicamente afetado pela leitura (na verdade, só considero o livro – ou a leitura – bem-sucedido se me vi afetado de alguma forma). E foi devido à densidade da obra que me demorei um pouco mais do que o normal para um livro tão curto. Depois de já ter percebido do que se tratava, cheguei a pensar: ‘Ainda bem, ainda bem que são só 200 páginas’.

Porque o livro de Remarque é terrível; totalmente bem-sucedido em sua proposta de dar ao leitor a impressão do trauma que viveu a geração do autor durante a primeira guerra mundial. O fato de ser escrito em primeira pessoa torna tudo diferente, assim como o fato de o próprio autor ter combatido na guerra (e diga-se de passagem: do lado alemão, mais massacrado). A obra é a história de Paul Baümer, que entra na guerra aos dezoito ou dezenove anos, vive sua experiência transformadora e morre aos vinte, no final de outubro de 1918, alguns dias antes dias antes de a guerra terminar. Sua morte é banal, e o título do livro vem daí, nada de novo no front. Os laços de companheirismo, bem como toda demais relação humana, são modificados pelas circunstâncias da guerra, de modo que o protagonista sente-se esvaziado de memória, de identidade e de tudo mais que caracteriza um sujeito. Seu grupo de amigos, que vinha desde o colégio, se desfaz. Sem dúvida, é um dos livros mais tristes e marcantes que li.

Edição: L&PM, 2008. Tradução: Helen Rumjanek.

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