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Archive for Janeiro, 2012

É um livro muito famoso, de que eu ouvia falar desde os primeiros tempos da faculdade. Robert Darnton escreve de maneira descontraída e de forma a de forma a salientar o curioso do que analisa. Isso, certamente, é mais evidente em O grande massacre de gatos, mas em Boemia literária e revolução, no esforço que faz para seguir o rastro da subliteratura iluminista, sua abordagem um tanto antropológica faz do insólito que há na carreira dos candidatos à celebridade no XVIII o protagonista de sua narrativa.

A quem gosta da literatura do século XVIII, é uma leitura interessante por assinalar o fosso, não ideológico mas de perspectiva, entre o underground literário e a aristocracia do pensamento das luzes. Com essa distinção, Darnton pretende indicar uma ligação mais viva entre nossas ideias de Iluminismo e Revolução Francesa. As obras de autores que nunca alcançaram grande projeção, segundo o historiador, estão repletas de injúrias contra o seleto grupo dos philosophes, forjando mesmo uma guerra entre baixo e alto iluminismo, cenário onde proliferaram a pirataria e a falsificação, a panfletagem, a pornografia e a difamação características da baixa literatura. O ponto crucial do trabalho de Darnton é ver que foi nesse ódio que o espírito jacobino adquiriu seu caráter emocionalmente radical. O jacobinismo estaria mais proximamente relacionado à boemia literária do que à revolução de pensamento empreendida pelos grandes pensadores encabeçados por Voltaire, Diderot e d’Alembert. Assegura que cada campo merece seu lugar nas origens da Revolução, mas evidencia como o espírito revolucionário se deslocou para o submundo quando o alto iluminismo se institucionalizou.

Edição: São Paulo: Companhia das Letras, 1987. Tradução: Luís Carlos Borges.

 

Jean-Honoré Fragonard, Inspiração, 1769.

 

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parecem anjinhos.

Fritz Zuber Buhler, Retrato de uma menina, s/d.

George Bernard O'Neill, Boa leitura, s/d.

William-Adolphe Bouguereau, Lição, 1881.

Alfred Morgan, Lendo Barba Azul, 1881.

Slava Groshev, Menina interrompida, 2003.

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Oscar Wilde é, para mim, um daqueles escritores pelos quais eu me converteria apenas para agradecer a Deus por ter existido gênio tal. Antes de ler esses contos e novelas, tinha tido o prazer ler aos 15 e reler aos 20 apenas O Retrato de Dorian Gray, seu único romance. Foi um livro muito que marcou minha adolescência quando li pela primeira vez, e que me surpreendeu mais ainda quando reli.

Quanto a Contos e Novelas, é um livro belíssimo. Claro que é belíssimo, pois o trunfo de Wilde é buscar sempre a beleza. Não o conhecimento, não a glória, não o humor (apesar de toda ironia), mas a beleza pura e harmônica dos simbolistas e do art nouveau. Não sei e não estou interessado em saber onde colocam Wilde os estudantes de literatura, mas acredito que seja num lugar aproximado de onde colocam Klimt os estudantes de artes plásticas. Lendo esses contos, lembrei de Tchecov, de quando disse que o contista eslavo era um pintor mais que um escritor; Wilde também, sem dúvida, é um grande manipulador de cores. Compõe paisagens magníficas, coloridas, a maioria dos textos selecionados no volume tem a atmosfera de um conto de fadas, os elementos de fábula incrementam sua beleza quase mística.

Como nas fábulas, alguns contos têm uma lição moral. Outros, não (não que eu tenha notado). Quase todos, no entanto, parecem se passar num lugar imaginário, fora da jurisdição prosaica do homem (O pescador e sua alma, O menino da estrela, O príncipe feliz, O rouxinol e a rosa e outros), como o bosque da peça de Shakespeare Sonho de uma Noite de Verão, ou numa versão maravilhosa de um cenário existente, como um quadro que realça as cores do mistério na representação de uma paisagem conhecida (O fantasma de Canterville, O aniversário da infanta). Dois contos se assemelham muito ao ambiente de O Retrato de Dorian Gray (A esfinge sem segredo e O crime de lorde Arthur Savile), em que os personagens da sociedade são perturbados por qualquer coisa de fantástico. Todos os textos, no entanto, Wilde pinta com primor cada detalhe, dando os limites de cada cor e seu devido tom.

O melhor conto: O aniversário da infanta – realmente impressionante; o pior: O fantasma de Canterville – em comparação com os outros, fica para trás, talvez por sua proposta humorística, que, para mim, não combina com o autor.

Edição: Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2007. Tradução de Brenno Silveira.

 

Gustav Klimt, A Virgem, 1913.

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Pequenino livro com algumas crônicas do escritor gaúcho Sérgio Faraco, com temas da antiguidade grega e qualquer coisa autobiográfica. O contraste entre a temática erudita e a forma jornalística do gênero faz da maioria dos textos algo interessante de se ler, sobretudo por causa das referências a autores clássicos. Mas os dois que destaco não são de ambiente grego: Cantata para uma escrava triste, uma memória de Alegrete nos anos 50, e Livros perdidos, uma pequena reflexão sobre os livros que, por causas diversas, não chegaram a nós. São duas crônicas legais de um livrinho que achei bem médio.

Edição: Porto Alegre: Mercado Aberto, 1998.

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Stendhal é mais famoso por O Vermelho e o Negro, Napoleão e Do Amor, nenhum dos quais li ainda. Peguei Crônicas Italianas, que me ganhou pela curiosidade desperatada pelo título.

As crônicas contidas no pequeno volume são de autoria de Stendhal e têm como personagens, sobretudo, figuras reais. Foram publicadas em diversos periódicos e reunidas postumamente por seu primo Romain Colomb. Stendhal foi cônsul na Itália, quando teve ocasião de ler vasto material de história das cidades da península, tanto impresso quanto manuscrito. Sabe-se que mandou copiar muitas histórias dos séculos XVI e XVII encontradas em suas pesquisas, material que resultou em quatorze volumes hoje guardados na BNF.

As Crônicas Italianas são, portanto, escritos seus inspirados por essa busca por conhecimento dos costumes de uma época que o apaixonou, tendo em vista seus outros escritos sobre o Renascimento italiano e suas palavras nas próprias crônicas.  São seis, as crônicas, quatro das quais se passam no século XVI, uma no XVIII e uma no XIX. Relatos curtos de histórias envolvendo paixão, intriga e morte nas cortes papais. Assassinatos encomendados, emboscadas e suicídios são constantes. Damas e princesas de beleza sobre-humana prometidas a nobres que não amavam, príncipes celerados, cardeais poderosos, bandoleiros e aventureiros de alma heroica são os personagens com que o autor constrói esse cenário de mascaradas. Mas o destaque são os introitos, onde Stendhal faz pequenas ponderações tangentes ao assunto da crônica, como em Os Cenci, em que introduz algumas ideias sobre o mito de Don Juan, e em A Duquesa de Palliano, em que fala brevemente sobre paixão na Itália.

As crônicas reunidas no livro são as seguintes: A Abadessa de Castro, Vitória Accoramboni, Os Cenci, A Duquesa de Palliano, San Francesco a Ripa, Vanina Vanini.

Edição: Otto Pierre Editores, São Paulo; Amigos do Livro, Lisboa; Éditions Ferni, Paris, s/d (197-). Sem indicação de tradutor (tradução revista por R. Correia).

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E os prêmios de melhores obras lidas no segundo semestre de 2011 vão para…

 

Romance: Orgulho e Preconceito, Jane Austen;

Conto/novela: Um homem célebre, Machado de Assis;

Poesia: Sonetos, Camões;

Teatro: Édipo Rei, Sófocles;

Acadêmico: O Romantismo, Jaime Guinsburg (org);

Outro: Victor Hugo – uma biografia, Graham Hobb.

 

Joseph Wright of Derby, Índia viúva, 1783-84.

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