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Archive for Novembro, 2011

são uma graça.

 

Roger van der Weyden, Madalena lendo, c. 1445.

Vittore Carpaccio, Virgem lendo, 1505-20.

Ambrosius Benson, Jovem lendo o Livro das Horas, 1520.

Jean-Honoré Fragonard, Estudo, 1769.

Jean-Baptiste Camille Corot, A musa de Virgílio, 1845.

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Esse pequeno livro contém alguns textos de Émile Verhaeren, literato e crítico belga falecido no início do século XX. O principal é uma defesa de Racine contra seu engessamento pela tradição escolar, que tende a circunscrever todos os clássicos franceses sob a poética de Boileau. Verhaeren demonstra como Racine viola os preceitos para obter os melhores efeitos e elevar-se além do classicismo. Viver espiritualmente ao futuro de sua época é a característica com que o crítico identifica o gênio, alma dos artistas imensos como Dante e Shakespeare. A segunda parte do livro é sobre a genialidade. Diferente de um artista talentoso, a qualidade do gênio não está na habilidade com que se destaca na arte de ser belo ou sagaz, mas em sua intuição, que o conduz por um caminho desconhecido, justamente por ser um caminho de outro tempo. Por isso diz serem os gênios revoluções, cataclismos.

Acho tudo isso muito bonito. Quanto mais se for para opor-se à ideia antiga de que o intelecto é produto puro de seu meio (o que daria razão a quem não levasse Racine a sério). Mas acho que a genialidade está muito mais dentro das obras dos autores que no efeito que elas causarão nas gerações posteriores. Seria muita pretensão eu chamar gênios somente aqueles que fizeram a arte atual ser o que é, que influenciaram decisivamente na história da cultura. Verhaeren tem o encanto de estar mergulhado em uma ideia filosófica da história, segundo a qual o gênio faz andar o tempo numa espécie de marcha para o universal. Seu fascínio pelo cânone, porém, faz com que ignore a possibilidade de haver gênios não-descobertos. Se revolucionar é preciso, o gênio desconhecido, de obras perdidas, não mereceria tal denominação. Penso em Vivaldi, por exemplo, que só foi verdadeiramente descoberto no início do século XX.

Creio que a obra diga mais sobre a genialidade do autor que a disposição das gerações posteriores a imitá-lo. O próprio texto de Verhaeren, apesar de tudo, me diz como posso identificar os melhores entre todos os muito bons: o gênio de verdade transforma a realidade em milagre.

 

 

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Li esse livro pela primeira vez em 2008, pela indicação de um professor de Filosofia. Reli há cerca de três meses, quando da pesquisa que fiz sobre a Pucelle de Voltaire. Ajudou-me muito a organizar as coisas antes de escrever. Na verdade, a organização já parece metade do trabalho, porque, muitas vezes, quando são colocadas as perguntas certas, as respostas vêm tão naturalmente que o trabalho parece desdobrar-se sozinho dentro da cabeça. Na parte de escrever, também me ajudou, pois há capítulos sobre argumentação, onde vi que a maioria das pessoas, na academia, busca argumentar no sentido de exonerar-se do compromisso das próprias afirmações, o que corresponde à impressão que fico frequentemente após ler artigos de periódicos acadêmicos. Vários deles simplesmente não precisavam existir. Isso deve ser sinal de uma necessidade que as pessoas têm hoje de publicar, o que provavelmente não se deve à força de um gênio incontido. É preciso guardar ceticismo quanto à profusão de coisas a ler.

A arte da pesquisa foi escrito por Wayne Booth, que foi crítico literário e professor na Universidade de Chicago, Joseph Williams, pesquisador em Linguagem e professor na mesma universidade, e Gregory Colomb, professor de língua e literatura inglesas na Universidade de Virgínia, todos falecidos recentemente, entre 2005 e 2011, poucos anos após a publicação do livro. É uma obra para pesquisadores em humanidades, sobretudo História, Filosofia e Letras, campos em que os autores realizaram trabalhos. A humildade é seu forte, e o que buscam ensinar a experientes e inexperientes.

Edição: Martins Fontes, 2000. Tradução de Henrique Monteiro.

Johannes Vermeer, O Astrônomo, c. 1668.

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são as mais interessantes.

 

Janos Donat, Retrato de uma dama com um livro, 1816.

 

Henry Collen, A leitora, s/d.

 

Charles Barber, Loira e moreninha, 1879.

 

Lovis Corinth, Menina lendo, 1888.

 

Hubert-Denis Etcheverry, A dama de azul, 1915/30.

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são as mais bonitas.

 

Carlo Dolci, Santa Catarina lendo um livro, séc. XVII.

Jean-Honoré Fragonard, Jovem lendo, 1770.

Bernard d'Agesci, Dama lendo as cartas de Heloísa e Abelardo, 1780.

 

Marguerite Gérard, Dama lendo em um interior, 1795-1800.

 

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Um poema de Victor Hugo

Tradução minha de um poeminha de Hugo. Ainda ele. Na verdade, sei que a tradução não é boa, mas é praticando que se melhora.

 

Printemps

Voici donc les longs jours, lumière, amour, délire ! 
Voici le printemps ! mars, avril au doux sourire,
Mai fleuri, juin brûlant, tous les beaux mois amis ! 
Les peupliers, au bord des fleuves endormis,
Se courbent mollement comme de grandes palmes ; 
L’oiseau palpite au fond des bois tièdes et calmes ; 
Il semble que tout rit, et que les arbres verts
Sont joyeux d’être ensemble et se disent des vers. 
Le jour naît couronné d’une aube fraîche et tendre ;
Le soir est plein d’amour ; la nuit, on croit entendre, 
A travers l’ombre immense et sous le ciel béni, 
Quelque chose d’heureux chanter dans l’infini.

 

Primavera

Eis então os dias longos, luz, amor, delírio!
A primavera! Março, abril de doce sorriso,
Maio de flores, junho fogoso, belos amigos!
Choupos na margem dos rios adormecidos,
Curvam-se moles como palmeiras enormes;
Pássaros se agitam no fundo dos bosques;
Parece que tudo sorri, e que se divertem,
As árvores juntas se dizendo poesia.
Coroado duma branda aurora, nasce o dia;
A tarde é cheia de amor; à noite, todos sentem
Pela sombra imensa, sob o céu bendito,
Alguma coisa feliz cantar no infinito.

 

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Não li muito de Victor Hugo ainda. Dois romances, uma novela e uma recolha de poemas. Mas ele tem sido o escritor de minha vida; jamais me envolvi tanto em uma leitura como quando li suas obras. Na verdade, sua escrita se presta bastante a isso, como a de todo bom romântico. Dias atrás, li um dos capítulos do livro de Robert Darnton, O grande massacre de gatos, sobre a mudança da relação entre autor e leitor operada em Rousseau. É muito interessante, uma daquelas coisas tão óbvias que nos escapam. Em Voltaire, por exemplo, os personagens são instrumentos do escritor para a transmissão de suas ideias, de sua mensagem, de sua tentativa de alcançar uma beleza elevada, etc, e o leitor o testemunha; em Rousseau, para Darnton, as coisas mudam porque a riqueza está na entrega do autor, de modo que sua obra transmita sua subjetividade e que o leitor, para aproveitá-la, tenha ele também de entregar-se às emoções que a obra suscite. É uma coisa que talvez, hoje, seja banal, mas ajuda a não esperarmos de classicistas o que eles não queriam dar e a explicar um pouquinho por que é tão fácil ter afetos pela literatura romântica.

Hugo é um gigante em sua grandiloquência. As visões do infinito encontram em sua obra caracterizações fantásticas. Certamente, nem tudo é liberação de gênio, podia escrever tão impecavelmente quanto um clássico, seguia um metro, tinha um estilo, era um esteta meticuloso. Mas acho que seu tesouro está em seu idealismo. Em relação aos homens, à literatura, a tudo. Esse idealismo, ele o apresenta bem neste texto, prefácio à peça Cromwell, Do grotesco e do sublime, tido como o marco inicial do romantismo francês, de 1826.

Evidentemente, não vou resumir a mirabolante história da cultura que Hugo cria, dividindo a produção humana nos tempos entre lírica, épica e dramática, sendo a última a modernidade literária, época do gênio romântico e da mistura dos gêneros. É um texto pequenino, embora esteja além das dimensões de um prefácio normal. Sua proposta e sua beleza é que são enormes. Chamou especialmente a minha atenção de estudante de História o fato de Hugo situar a História na segunda fase dessa evolução dos gêneros. Para ele, a História, como gênero literário e ramo do conhecimento, é uma das formas da epopeia. Permite-se tal associação sob a alegação de que a cronologia não expulsa a poesia, e Heródoto é também poeta épico. A diferença, para mim, é que, enquanto para Victor Hugo a Poesia é uma criação revestida de vida natural, uma ilusão com prestígio de verdade, a História, talvez seja possível dizer, é uma vida revestida de criação, uma verdade com em forma de ilusão. Daí a afirmação do autor de que a finalidade da Poesia seja a criação, e a da História, a ressurreição. Certamente, há nisso toda a riquíssima filosofia da história que desponta no romantismo e que é, com efeito, o épico disso tudo.

O prefácio está publicado em um livrinho separado, de tradução de Célia Berrettini, pela Perspectiva. Achei excessiva a preocupação didática das numerosas notas de rodapé.

The Grove or Admiral's House, John Constable, 1822.

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